Combustível

quinta-feira, 29 de dezembro de 2011

Ele esperava por ela. Ela tinha despertado nele algo que há muito tempo estava adormecido. E cautelosamente, ele mudou por ela sem que ela pedisse. Apenas por querer ser melhor pra ela. Apenas por se sentir melhor pra ela. Talvez, ser merecedor dela. Ele lutava contra a timidez para mostrar que era um rapaz de atitude. Mas no fundo, se sentia muito intimidado por ela. Ela era muito complicada, e ele tinha todos os motivos para desistir. Até seus amigos aconselhavam para ele se desapaixonar.

Ele fazia loucuras por ela. Algumas, ela nem fazia idéia. Mas muitas vezes, ele ficou escondido num lugar estratégico, apenas para vê-la por alguns segundos. E forjou muitos encontros casuais, como se realmente tivessem se cruzado na rua por obra do destino. Ele vivia o suplício de esconder o seu sentimento, para poder estar perto dela, mesmo que só como amigo. Ela podia contar com ele, e isso de certa forma o confortava. Ela era o maior sonho dele. Ela era sua maior saudade. Ele sempre queria mais do que tinha, quando se tratava dela. Podia passar um dia inteiro olhando pra ela, que ainda assim não estaria saciado. Ele a ouvia falar de outros caras, e mesmo de coração partido, ele nunca saiu do lado dela.

Ele apenas esperava por ela. Sonhava que um dia, ela falasse dele para suas amigas. Sonhava que fosse recíproco. Ele se sentia muito fraco e desiludido, e pensou muitas vezes em desistir. Mas bastava um sorriso dela, para ser o combustível para ele começar novamente, com um pouco mais de esperança do que da última vez. Ele não sabia como acabaria, e embora não estivesse completamente feliz, do lado dela, sabia que nunca se sentiria infeliz. Pois mesmo que de formas diferentes, os dois se amavam. E era isso que importava.

Lívia Souza

Carta de Natal

quinta-feira, 22 de dezembro de 2011

Criança de onze anos:

‘Papai Noel, eu gostaria de te pedir muitas coisas. Há muitos brinquedos que eu gostaria de ganhar. Muitos que o meu papai não pode pagar, mas ele sempre diz que quando as coisas melhorarem, ele vai me dar. Ainda não entendo muito bem por que ele diz isso, e ele fala que quando eu crescer, vou entender. Mas uma coisa tem me incomodado bastante. Às vezes escuto minha mamãe chorar no quarto dela, com a porta fechada. E quando bato na porta, ela pede pra eu esperar, e quando abre, ela passa a mão no meu rosto e sorri pra mim. Mas no fundo, eu sei que ela ta preocupada com alguma coisa. Espero que não seja comigo, até porque nem estou mais tão mal em ciências e finalmente aprendi raiz quadrada. Nem sempre faço a tarefa, mas nunca peguei recuperação! Eu queria muito uma bicicleta, mas o papai disse pra eu não pedir coisa muito grande, porque o senhor tem muitas outras crianças pra presentear, e além de ser velhinho pra carregar tanto peso, não é rico. Pensei em pedir uma boneca linda que vi na vitrine de uma loja, porque quando eu pedi ela de aniversário pra mamãe, ela disse que a boneca era cara. Eu fiquei muito triste aquele dia, mas entendi. Acabei ganhando outra boneca, não tão bonita quanto aquela, mas brinco com ela todo dia com minha amiga Marina. Ela é minha vizinha e sempre vem na minha casa, e eu também vou na dela. O quarto dela é muito bonito, e ontem eu perguntei pra ela o que ela ia pedir pro senhor de Natal, porque ela tem muitos brinquedos! Mas papai Noel, acho que não vou pedir brinquedo nenhum. Quando eu perguntei pro meu papai, como você me entregaria o presente, ele me disse que você sabe o endereço da minha casa e me conhece. E se o senhor sabe de tudo isso, deve saber muitas outras coisas sobre mim e que se passam na minha casa, talvez saiba de coisas que nem eu sei. Mas eu gostaria de pedir pro senhor, pro senhor fazer as coisas melhorarem! Se não der, faz a minha mãe parar de chorar, porque eu amo muito ela.

Obrigada Papai Noel, um beijo.’

Lívia Souza

Ainda tenho

quinta-feira, 15 de dezembro de 2011

Eu me lembro até hoje do nosso último beijo. Último beijo que eu não dei a devida importância,ainda mais porque não tinha ideia de que seria o último. Mas não foi apenas o último beijo. Foi o último dia que você me amou. E depois desse dia, você nunca mais foi o mesmo.E nem eu. Eu me fechei totalmente para qualquer tentativa de me apaixonar por outra pessoa, automaticamente. Sofri sorrindo. Aprendi a viver sem você. Me conformei em vê-lo feliz ao lado de outra pessoa. Me contentei em saber apenas que fui especial pra você. Me satisfaço só em te olhar, quando você não estiver me vendo, é claro. Mas há coisas que por mais que eu tente, me esforce em mudar, ainda não consigo controlar. Um sorriso seu, pra me fazer esquecer todas as lágrimas que foram derramadas por sua causa, junto das decepções absorvidas. Você não merece que eu sinta isso, eu sei, mas eu sinto assim mesmo. Se isso não for amor, é algo parecido. Mas eu ainda tenho esperança. Não de que um dia, a vida te traga de volta, mas sim de que você volte para mim, com suas próprias pernas.


Lívia Souza

Só você não viu

terça-feira, 6 de dezembro de 2011

Eu mostrei que te amo várias vezes. Sabe quando eu forjei uma risada da sua piada de mau gosto? Quando eu abri mão de sair com minhas amigas só para passar a tarde com você assistindo ‘Domingão do Faustão’? Quando torci pelo seu time, mesmo não sendo o meu, só para não vê-lo decepcionado? Lembra quando gastei o dinheiro que havia juntado para comprar aquele sapato que eu namorava na vitrine da boutique, com créditos para te ligar todos os dias, pois você estava desempregado e ainda não existia a promoção de 25 centavos por telefonema? Quando eu ouvia todas as músicas que você me mandava, mesmo não curtindo o estilo musical? Quando eu preocupava meus pais por desrespeitar o horário de chegar em casa, só para ouvir você se queixar do seu colega de trabalho? Quando te dei razão mesmo eu estando certa, só para não prolongar a discussão? Quando eu estava de TPM e tratava todo mundo friamente, mas com você eu continuava doce e paciente? Quando ignorei suas grosserias só por saber que seu dia foi difícil? Quando eu chorava por dentro e sorria para você pra não preocupá-lo? Quando deixei de viajar com minha família pra cuidar de você porque estava doente? Quando te procurei porque o seu orgulho não permitiu que você se redimisse? Quando relevei suas crises, sua vontade de dar um tempo, e querer voltar pra mim no dia seguinte? Quando eu deixei você dirigir o meu carro? Quando eu te prometi que estaria do seu lado, e cumpri? Quando eu assistia filme de ação porque você só gostava de ver esse gênero? Quando eu tinha disposição pra fazer um jantar pra você depois de um dia estressante? Quando vestia aquele vestido que eu odiava só porque eu sabia que você achava lindo? Você lembra como eu era toda sua, até não estando com você? Você lembra como eu me rendia ao seu charme tão facilmente? Você lembra dos textos que eu criei inspirados em nós? Mas isso tudo não pareceu bastar, aliás, parecia pouco pra você. Você realmente acha que tudo isso vale menos do que simplesmente dizer ‘eu te amo’? Sinceramente, se você acha que três palavras que qualquer um pode dizer sem o mínimo esforço é prova de amor, você é o tipo de pessoa que se descreve com uma extensa prosa objetiva. Eu não. Eu sou poesia. Talvez um pequeno soneto que, se bem absorvido, mostra o que você não é capaz de desvendar apenas com a primeira leitura. Eu sou as figuras de linguagem. Eu sou além do que você enxerga. Você é previsível e, e eu nunca serei.


Lívia Souza

A vida continua

terça-feira, 15 de novembro de 2011

Eu tinha só dezessete anos. E com apenas dezessete anos, tive de envelhecer mais uns dez. A vida me forçou a isso. Ela exigiu de mim, mais força do que tinha. Ou não, talvez a gente não saiba o quanto é forte, até precisar ser.

Quando eu tinha quinze anos, conheci o cara que mudou a minha vida. Estava eu numa festa, a qual meus pais nem deixaram que eu fosse (mas é melhor pular essa travessura, acredite!), e de repente na pista de dança, alguém me deu um pisão. Me virei super brava, na intenção de xingar a pessoa. Mas quando vi aquele sorriso largo dele, acompanhado de um pedido de desculpa, percebi que não acabaria por aí. E de fato, não acabou.
Nem preciso dizer o que aconteceu depois, certo?! Nos apaixonamos. Sabe quando você está pensando em alguém, e no exato momento, esta te telefona? E aquele beijo tão primoroso, que dá vontade de tirar a roupa logo sem se importar com religião, razão ou princípios?
Leonardo sempre foi misterioso. As vezes até me deixava insegura. Insegurança que logo passava quando eu estava em seus braços. Ele sempre dizia que a vida continuava, e eu mal entendia o por quê dele dizer isso, repetidas vezes. E também tinha uma lista (bizarra), de coisas que queria fazer antes de morrer.
Então, Leonardo sumiu por uns dias, e quando eu o procurava nunca encontrava ele em lugar algum. Até que um dia, ao conectar na internet, deparei com a seguinte mensagem da mãe dele: "Leonardo faleceu!! Ele tinha leucemia, e não contou-lhe pois não queria preocupar a garota que mais o fez sentir vivo, mesmo quando a morte já estava dentro dele. Palavras ditas por ele, momentos antes de partir. Perdão dar a notícia assim, mas estamos muito desconsolados.".
Minha vida parou por algumas semanas. Mas depois eu consegui entender tudo com clareza. Leonardo queria que minha vida continuasse, e assim deveria ser. Eu pedi pra mãe dele a lista que ele tinha me confidenciado, e realizei todos os desejos, como se fossem meus, um a um. Em último lugar, ele queria constituir uma família. Eu constitui a minha, inclusive tenho um filho, chamado Leonardo, de dois aninhos. Sou bem casada e feliz, pois com o Leonardo aprendi a seguir em frente, aprendi que não importa o que aconteça, a vida continua.
Meu nome é Kate, tenho trinta e um anos, e descobri que tenho câncer na semana passada. E tenho absoluta convicção, de que tudo vai dar certo. Independente de como.

Lívia Souza

Química

segunda-feira, 7 de novembro de 2011

Amor é aquilo inacabável, ilimitado, incondicional. Amor é aquilo que dura por toda vida. As pessoas dizem sentir amor sem ter certeza do que é. Só quando você estiver a beira da morte, você vai saber e entender o que é o amor. E se já sentiu isso realmente algum dia por alguém. Porque quando você estiver quase partindo, a primeira e a última pessoa que você irá se lembrar, será a pessoa que você mais gostou, admirou, e almejou durante toda sua trajetória.

Falo da química entre duas pessoas. Aquilo que faz você voar mesmo com os pés firmes no chão. Que faz você cometer loucuras que antes julgava incorretas. Que transcende toda e qualquer descrição. Que faz seu coração vibrar, suas pernas ficarem dormentes e perder totalmente o controle das suas mãos. Elas vão tocar e acariciar automaticamente quem sua mente já está imaginando quão gostoso pode ser um beijo apaixonado dele(a). Química é aquilo que tira o seu sono, que te machuca de saudade. É o que faz você perder o fôlego. Química é aquele olhar que suga, é o sorriso espontâneo, é a atração dos corpos instintiva, é aquela vontade irreprimível, é o desejo infindável de parar o tempo, é aquele beijo primoroso, é aquele abraço arrebatador que torna tudo esquecível exceto aquele exato instante. É a química que te estimula a insistir numa história que tem tudo pra naufragar antes mesmo de navegar. Química é aquilo que proporciona os seus melhores momentos. Sentir química e ser recíproco é o primeiro passo para começar a entender, e até quem sabe viver um amor delirante.

Lívia Souza

Se fosse diferente

terça-feira, 25 de outubro de 2011

Como eu queria que você fosse diferente. Que com nós dois, a história tivesse sido outra. Uma em que o desfecho, nada mais seria do que o começo de dois corpos compartilhando a mesma alma. Você podia ser diferente, se não fosse o seu sotaque que fica incrivelmente sensual quando está enfurecido. Se não fosse o seu hábito de deixar tudo sempre para a última hora. Se não fosse o seu prazer insaciável de me contradizer. Se não fosse a sua mania irritante de sempre esquecer a toalha molhada em cima da cama após o banho. Se não fosse o seu vício de dizer o que na verdade, você não sente. Se não fosse o seu orgulho, que não te deixa redimir dos próprios erros, o que faz eu perder-me de você. Se não fosse a sua forma de mexer no cabelo quando está envergonhado, que é inclassificavelmente enlouquecedora. Se não fosse esse seu medo de demonstrar o que seu olhar já denunciou, ou de aceitar que sim, eu sou diferente das outras garotas pra você. Você podia ser diferente, para mim. Você ainda poderia ser meu, se fosse diferente. Não poder estar com você me faz te querer ainda mais ao meu lado, mesmo que utopicamente. A arte de querer o que está fora do alcance, essa eu domino. Mas e se você fosse diferente, será que eu te amaria da mesma forma? Talvez não. Talvez eu ame até os seus defeitos, pelo simples motivo deles também fazerem parte de quem você é.


Lívia Souza

Eterno finalizado

sexta-feira, 14 de outubro de 2011

Saudade. Não saudade do seu olho, mas do seu jeito de me enxergar. Não saudade da sua boca, mas do sorriso que saia dela quando eu chegava. Não saudade dos seus lábios, mas da intensidade de como eles se encontravam com os meus. Não saudade da sua mão, mas da sua carícia. Não saudade da sua pele, mas do efeito dela sobre a minha. Não saudade dos seus braços, mas da forma que eles me apreendiam. Não saudade das suas pernas, e sim do seu colo. Não saudade do seu perfume, e sim do cheiro natural da sua pele. Não saudade da sua voz, mas da sua entonação ao dizer 'eu amo você'. Não saudade das nossas brigas, mas das reconciliações. Não saudade das suas lágrimas, mas de saber que foi por mim que você as derramou. Não saudade da sua impontualidade, mas das vezes que me surpreendeu numa tarde vazia em que eu ainda estava de pijama. Não saudade do seu ciúme, mas de me sentir amada e exclusiva para alguém. Não saudade do ciúme que eu sentia de você, mas de ao menos ainda ter o que perder. Não saudade da sua raiva, mas de saber que ela não duraria até eu te tocar. Não saudade dos meus sonhos, e sim da realidade que eu vivia com você. Não saudade de quando você estava longe, e sim de ter certeza que mesmo distante, você ainda queria ser só meu. Não saudade das juras e demais promessas, mas do que um dia foi eterno, e que por algum motivo teve que morrer.


Lívia Souza

Quando o sol nascer

sábado, 8 de outubro de 2011


Não me convide para ver o pôr-do-sol se não tiver desígnio de permanecer comigo para observá-lo nascer. Pois simples é criar um momento, complexo é torná-lo suficientemente bom para ser digno de uma sequência contínua. É fácil se apaixonar por alguém durante uma noite, o difícil é essa paixão permanecer quando amanhecer.


Lívia Souza

Efeito

domingo, 2 de outubro de 2011


Nada funciona quando você não está. Meus olhos sempre buscam encontrar os seus. É impensado sorrir quando você chega. Tenho medo de um dia você perceber o seu efeito sobre mim. E mais medo ainda, que eu descubra o quão poderoso esse efeito pode ser.


Lívia Souza

Você, e o que você me causa

quinta-feira, 29 de setembro de 2011



Ontem você foi o motivo do meu melhor sorriso, hoje é responsável pela minha mais dolorosa lágrima. E amanhã será o único culpado pela minha indiferença.


Lívia Souza

Várias doses, nenhum efeito

sexta-feira, 23 de setembro de 2011

Uma dose. Uma dose para iniciar a noite. Uma dose para suportar a noite. Uma dose para uma tentativa forjada de acabar com o gosto ácido da solidão. Uma dose na tentativa de absorver também uma amnésia, e deletar recordações que insistem em morar na minha mente. Uma dose para talvez aquecer e preencher o vazio de um coração entorpecido. Uma dose para me deixar inconsciente e não sentir a presença de uma ausência. Uma dose para apagar do meu subconsciente o gosto amargo que ficou na minha boca, desde o nosso último beijo. Uma dose por não saber por onde você tem andado. Uma dose com consciência plena de que ao acordar amanhã, as lembranças vão novamente me consumir, acompanhados da ressaca. Uma dose com o pensamento insano de talvez, não querer acordar amanhã. Nem depois. Uma dose pra fugir de uma dura realidade. Uma dose para todos os sorrisos falsos que foram distribuídos ao longo do dia. Uma dose para as palavras que não foram pronunciadas. Uma dose para todos os sentimentos reprimidos. Uma dose para não te telefonar agora. Uma dose com convicção desvairada de que várias outras doses não trarão o efeito desejado. Uma dose que trás vida matando. Uma dose inutilmente deglutida por saber que nada disso vai durar mais que uma madrugada.


Lívia Souza

Nunca diga duas coisas

domingo, 18 de setembro de 2011



Você pode dizer, pensar, imaginar e até inventar o que quiser de mim, menos duas coisas: que eu não apostei em nós dois até onde não foi possível, e que eu não me importo.


Lívia Souza

Vem comigo?

sexta-feira, 16 de setembro de 2011

Uma chance, e eu te mostrarei um mundo novo. Um mundo onde realizar os sonhos seja mais fácil do que aparenta. Um mundo onde as lágrimas são de alegria, e os sorrisos brandos. Um mundo onde as pessoas não vivem encarceradas por trás de um personagem. Um mundo onde o palco não permite encenações, somente improvisações. Vamos sair daqui, vamos para outro lugar, vamos ser só você e eu. Vamos quebrar as regras, vamos embora sem ligar para o que vão dizer. Vamos implantar nosso próprio sistema, concretizar nossos planos. Vamos nos embriagar de nossas miragens. Vamos transformar o utópico em realidade. Vamos saciar essa vontade, que eu tenho de você e você de mim. Vamos para uma caverna, uma ilha, uma floresta. Vamos viver um com o outro, um do outro. Você vai poder se apoiar em mim, e eu em você. Poderá confiar em mim seus segredos mais sombrios, e dar-me o seu coração, quando se sentir pronto. Eu saberei esperar. Por você, vale a pena esperar. Mas não vamos perder mais tempo. A cada dia vivido, é menos um dia de vida. Eu sei que você quer tanto quanto eu. Então, vem comigo? Deixa eu te provar que é possível vivenciar tudo isso, nesse mundo que nascemos. Uma chance para tocarmos as estrelas sem precisar ir ao céu. Vem viver comigo que eu te mostro a vida!


Lívia Souza

Meu vício é você

domingo, 11 de setembro de 2011

Você é a minha droga. E a cada dia eu preciso consumir uma dose maior de você. Era pra ser só por uma noite, apenas um experimento. E como todo vício, foi me ganhando aos poucos, nas repetidas vezes em que encontrei você. Quando me encontrei, de fato. Você me proporcionou sorrisos sinceros, que já não querem se desfazer em meus lábios, e despertou em mim sentimentos que até então eram desconhecidos. Eu te quero todo dia. Eu gosto do seu olhar prioritário quando me vê chegar. Gosto do seu sorriso após um beijo nosso, e até do som da sua risada, tão gostosa de se ouvir. Gosto de quando respira fundo quando está colado em mim, absorvendo o meu cheiro ao máximo. Adoro sua cara de sono, e a acho absurdamente linda quando está bravo. Adoro seu rosto triste ao se despedir de mim, demonstrando que de certa forma, é bom estar comigo. Me sinto realmente viva ao seu lado, especial. Não me imagino sem você, sem te ver, sem te ouvir, sem te cheirar, sem te sentir. Suas mãos combinam perfeitamente com minha cintura, assim como minha boca almeja degustar da sua instintivamente. Eu preciso de você todo dia. Não só pelo fato de ser você, mas por quem eu sou quando estou ao seu lado.


Lívia Souza

Onde foi parar?

quarta-feira, 7 de setembro de 2011

Era uma tarde como outra qualquer. Ela tirara um tempo só para ela. Deitar em sua cama e ouvir sua músicas, era só o que a acalmava. Mas virando de um lado para o outro, atordoada, pensou no que não devia. Em quem não merecia. E num piscar de olhos pequenos flashes do passado passaram em sua mente como um filme. Um filme que um dia ela atuou como personagem principal, e hoje só assiste, como se estivesse muito longe de se tornar uma realidade vivenciada por ela. Algo que era tão natural, se tornou sonho. Sonho que é almejado todas as noites para ser concretizado, novamente. Afinal, onde foi parar todo aquele amor? Para onde foram todas as promessas e juras de cumplicidade eterna? Para onde foi tudo o que está escrito nas cartas? Para onde foram todas aquelas fotos, evidências de uma combinação perfeita de loucura e paixão? Para onde foi aquele olhar especial, que demonstrava tanta primazia de ambas as partes? Para onde foram todos os beijos duradouros, e os abraços apertados? Para onde foram aqueles sorrisos intensos que se transforamaram em lágrimas intermináveis? Só o tempo explicará o inexplicável, e tirará o incurável do centro das atenções.

Ela até hoje não sabe onde foi parar tudo aquilo, e se já foi real algum dia, ou se não passou de mera ficção.

Lívia Souza

Amando a sí própria

sexta-feira, 2 de setembro de 2011

Ela não era perfeita, mas era autêntica. Tinha defeitos irritantes, e qualidades encantadoras. Nunca disse que o amava, mas não era necessário. Ela provava isso através de gestos. Esteve ao lado dele incondicionalmente, quando mais ninguém estava. Vivia surpreendendo-o com pequenas atitudes no dia a dia. Amava-o quando ele menos merecia. Era original na hora de dar presentes, e gostava de variar os lugares na hora de sair. Era racional sem deixar a sensibilidade de lado. Possuía uma incrível facilidade com exatas mas amava ler um bom livro. Admirava qualquer tipo de arte, e adorava dançar. Desconfiava de quem não gosta de cachorros. Era fiel por opção, e também por amor. Era bem humorada, e sorria quando tinha vontade de gritar. Sempre o incentivou a lutar pelos seus objetivos, e realmente acreditava que ele era capaz. Sabia a hora em que ele precisava apenas de uma boa conversa, e também a hora de silenciá-lo com um beijo. Sabia seduzir mas era dominada sem esforços, bastava ele querer. Ela se doava sem esperar nada em troca. Só esperava que um dia ele precisasse dela, como ela precisava dele. Ela sempre esteve lá. Independente do motivo, do lugar e do horário.

Um erro, várias consequências. Um deslize para esgotar a paciência, e destroçar uma esperança. Uma pequena gota para fazer o balde transbordar. Ela finalmente abriu os olhos e pôde enxergar. Merecia mais do que aquilo, merecia mais do que ele oferecia, merecia ser feliz. Pegou sua bolsa, se despediu com um sorriso, fechou a porta e nunca mais voltou.

Lívia Souza

Noite da vida

quarta-feira, 31 de agosto de 2011

Num sono profundo, duas almas solitárias e vazias se cruzaram no labirinto, e o pesadelo se tornou um sonho, um sonho no qual duas almas vazias se juntavam sem expectativas, apenas para se completarem até terminar a noite. Compartilharam uma noite longa, na qual uma alma abrigava a outra. Uma noite fria que trazia consigo um gosto amargo da solidão. Noite fria que se tornou agradável para duas almas desalmadas. Nenhuma delas encontrou a saída do labirinto. Mas se não fosse por ele, as almas desalmadas não tinham se cruzado. E então, não haveria história.

A vida é assim, não sabemos nem quando, nem como vai terminar, mas a importância está em quem completará e finalizará esta caminhada junto de você.

Lívia Souza

Eu sei

segunda-feira, 29 de agosto de 2011

Eu simplesmente duvido. Duvido que me apagou da sua vida por completo. Eu sei que ainda se lembra de mim, em horas inesperadas. Sei que quando sonha comigo, passa o dia relembrando como foi bom, mesmo que só em sonho, estar comigo mais uma vez. Eu sei que você ainda lê minhas cartas, e ainda ouve a nossa música. Sei que ainda sente meu perfume impregnado no seu subconsciente. Sei que se preocupa comigo, e odeia isso. Sei que ainda me mantém viva na sua mente, e relembra as vezes em que te toquei, e de como era bom estarmos tão ligados, tão completos, tão viciados um no outro. Sei que sempre que se lembrar do nosso primeiro beijo, um sorriso sairá automaticamente da sua boca. Sei também que esse sorriso morrerá quando me ver feliz com outro, e no lugar dele, surgirá uma lágrima. Sei que ainda sou especial pra você, mesmo não merecendo. Sei que em outras bocas você ainda busca pelo gosto do meu beijo. Sei também que você não beija ninguém tão bem quanto beijava a mim. Sei que nosso sentimento transcendia toda a lógica. Sei que você me olha diferente, com ternura no olhar, como se eu precisasse ser cuidada, mas também me olha com malícia, como se não conseguisse se controlar perto de mim. Sei que tem vontade de me abraçar, mas tem receio de me tocar novamente. Sei que me quer, mas não pode. Sabe como eu sei disso? Porque é recíproco.


Lívia Souza

Tudo passa

quinta-feira, 25 de agosto de 2011

A vida é um ciclo. E nesse grande ciclo, se incluem pequenos ciclos. Todos com data de validade, felizmente e infelizmente. O ser humano desespera-se por não saber do futuro, se condena pelo passado, e deixa o presente a desejar. Ele não tem consciência plena de que o ontem não pode ser mudado, e de que o amanhã não cabe a ele prever. Tudo o que ele poderia e deveria fazer é viver bem o presente. Se o presente estiver bom, aproveitar ao máximo é quase que uma obrigação. Começar o dia sorrindo e terminar sorrindo, e nas orações ao invés de pedir, agradecer. Dar valor a esses dias, que com certeza serão guardados até o fim da vida. Se o presente estiver ruim, aproveitar para absorver força e amadurecimento. Se for preciso, chorar, mas não desesperar, pois após a noite longa, o sol volta a brilhar, trazendo consigo um novo dia. Um dia em que tudo pode ser diferente, e a realidade mudar transcendentemente. Ter fé, pedir sabedoria, e fazer sua parte. O segredo está em viver bem, e isso independe da fase pela qual está se passando. Afinal, tudo passa.


Lívia Souza

Você vive em mim

sexta-feira, 12 de agosto de 2011

Há perdas que nunca serão recompensadas. Nada nunca irá substituir o grande amor que já senti e ainda sinto por você, e o que conviver com você me proporcionou. Mas na verdade tudo o que eu queria era você de volta, ou ao menos uma chance de dizer o quanto há de você em mim. E para todo o sempre vai haver. A dor da saudade vai me consumindo aos poucos, e sonhar com você sorrindo pra mim é o que me conforta, pelo menos por alguns segundos ao acordar. Mas logo vejo o grande martírio que tenho pela frente: mais um dia sem você. Um pesadelo que infelizmente sei que não terá fim. Foi tão duro ouvir frases como: 'Eu sinto muito, mas Deus sabe o que faz', 'Essa dor vai passar'. Essa dor nunca passará, eu nunca me conformarei, e Deus sempre soube o quanto eu te amava. Foi a vida mesmo que te levou sem minha permissão, e hoje sofro por não ter me despedido direito quando você saiu de casa pela última vez. Mas eu não tinha ideia que era pra nunca mais voltar. Ver você, alí, tão imóvel me pareceu surreal. Meu sofrimento se manifestou através de lágrimas intermináveis, que por fim nem as sentia descer. Eu tinha a esperança de ver você despertar a qualquer momento, mas você não o fez, levando junto contigo o meu coração. A vida perdeu a cor, mas eu sigo adiante, sem expectativas, sei que se eu entregasse os pontos, te decepcionaria. E isso é tudo que eu não quero. Você sempre será o meu herói, e todas as conquistas que eu obter serão pra você, porque você vive em mim e eu sei que de algum lugar, você está olhando por mim.


Uma parte de mim morreu quando você se foi, mas outra se levanta todos os dias por sua causa.

Lívia Souza - Essa é pra você vô, meu maior exemplo.

Grande menina, pequena mulher

quarta-feira, 3 de agosto de 2011

Ela é a garotinha do papai. A indefesa para o irmão mais velho. A mulher ideal para o namorado. A responsável para o professor. Tão corajosa diante da injustiça, é sempre a primeira a defender seus amigos. Ao mesmo tempo, tão amedrontada, frágil e indecisa quando se trata de sí mesma. Sempre muito esperta, evita muitos erros aprendendo com os dos outros. Pequenina que ainda nada sabe sobre a vida. Perto das pessoas, sempre enrijecida. Mas ela sabe o tamanho do seu coração. Não gosta, e talvez não saiba ao certo demonstrar o que sente, mas como sente! Gostaria de sentir menos. Tão inteligente, intimida muitos homens, mas não os melhores. Transmite segurança, mas no fundo guarda inúmeras dúvidas. Dúvidas as quais não encontra respostas, e dúvidas que ela mesma não quer saber as respostas. Vive um dia de cada vez, mas às vezes se pudesse, atropelaria alguns meses. Tem pressa de viver. Ela tem necessidade de ver um sol brilhar lá fora, mas é paciente num dia chuvoso. E por mais longa que seja a noite, está sempre convicta que a luz vai surgir ao amanhecer.


Lívia Souza

Ps: Texto dedicado à uma amiga, que fez aniversário há alguns dias. :)

Homens cavalheiros

terça-feira, 2 de agosto de 2011





17 Fatos sobre homens cavalheiros (de verdade):




1°- Eles abrem a porta do carro, e ajeitam a cadeira para você.
2°- Dar flores? É clichê. Eles dão presentes criativos e inovam de acordo com os seus gostos.
3°- Não importa o quanto você se ofereça para rachar a conta. Eles sempre pagam.
4°- Eles são autênticos e não forjam uma falsa personalidade.
5°- Quando interessados, reparam nos mínimos detalhes, em pequenas indiretas e até em discretos gestos seus.
6°- Eles têm toda a paciência do mundo para ouvir você, por mais tolo que seja o assunto.
7°- Eles sabem a hora certa para olhar em seus olhos, e também a hora certa para olhar as suas pernas.
8°- São muito bem educados, o que é muito diferente de afeminados.
9°- Sabem distinguir os tipos de mulheres, e quando encontram a certa, sabem dar o valor merecido à ela.
10°- Não pressionam, sabem respeitar e esperar uma mulher.
11°- São atenciosos, mas também imperfeitos, como qualquer ser humano.
12°- Mostram através de atitudes e não de palavras, que se importam com você.
13°- Ligam tarde da noite só para saber se está tudo bem.
14°- Se apaixonados, são fiéis e gostam de compartilhar sua vida, família e amigos com a mulher.
15 °- Quando está frio, e ela está sem casaco, ele oferece seu casaco de imediato.
16°- Eles não deixam você carregar peso. E sempre te ajudam a carregar as sacolas sem você pedir.
17°- Homens cavalheiros existem, mas estão em extinção.

Lívia Souza

Mais que saudade

sábado, 30 de julho de 2011

Tento dormir e não consigo por sua causa, e você nem sabe disso. Viro de um lado para o outro, tentando mandar em meus pensamentos, inutilmente. E inevitavelmente, me transporto para o seu lado. Iludida, torço para que ao menos por um segundo, você pense em mim antes de adormecer. Fico inquieta e angustiada, e se me vissem, me chamariam de louca, por insistir em falar sozinha. Mas de alguma forma, penso que você pode estar me ouvindo. E é uma maneira de liberar um pouco do que eu sinto. Eu fecho os olhos e me vejo acariciando seu rosto, e quando os abro, meu coração já está disparado. Levanto-me e vou para a sala, abro a janela e olho o céu, e naquele exato segundo daria tudo para estar com você. A distância não foi capaz de acabar com o que eu sinto por você. Sem você, sou só metade de mim. Uma chance, e faria tudo diferente. Eu estava errada quando achei que podia mandar no coração, e a situação saiu do controle. Sem minha permissão, você permanece vivo em mim. E no silêncio da madrugada, meu coração grita seu nome. De qualquer forma, eu tenho esperança de um dia poder dizer para você, o que eu sempre soube e não quis admitir: eu amo você, demais.


Lívia Souza

Um erro, várias consequências

sexta-feira, 29 de julho de 2011

Não parecia possível. Uma tragédia. Totalmente surreal. Seria verdade? O teste deu positivo, pela terceira vez. Estava com mal-estar já havia umas três semanas. O desespero veio à tona. Ela sempre se comportou tão bem, cheia de princípios, e garantia a sí própria que não havia possibilidade de ter acontecido nada. Exceto há uns dias atrás que foi numa festa e se embebedou demais com um rapaz. Não se lembra de nada daquela noite, que não teve nenhuma significância nem para ela, e provavelmente muito menos para o homem, cujo ela nem sequer lembra o nome. Daquela noite, só restaram poucos flashes em sua mente, como um filme que não passa. Com muito esforço ela se recordou de alguma coisa. E depois caiu em choro. Ela estava grávida. Grávida e totalmente perdida. Ela havia acabado de se formar em direito, e passado na prova da OAB, pronta para ser uma advogada competente e deslanchar em sua carreira, com grandes possibilidades de obter sucesso profissional. Estava tudo arruinado? Era isso? Sonhos de uma vida destruídos por uma noite? Uma irresponsabilidade estava lhe custando todo um futuro promissor. Um peso que ela não aguentaria carregar sozinha, desamparada. Decepcionaria seus pais eternamente, que estavam tão contentes pela filha ter dado o primeiro passo para o mercado de trabalho. Que estrutura essa criança teria? Qual a explicação de sua vinda ao mundo? Ela se acovardou. Viu que só tinha duas soluções. Se foi mulher de errar, teria de ser mulher para se redimir e assumir seus erros. Ou abortaria.

Ela foi fraca, optou por abortar. E percebendo a gravidade de tal ato, chegou a conclusão que também não merecia viver, por ter sido tão cruel. E era o fim de duas vidas.

Lívia Souza

Quando menos se espera, acontece

sábado, 23 de julho de 2011

Tudo começou de repente. Era uma sexta como outra qualquer, ele se arrumou como o de costume e foi para a balada, sem expectativas. Encontrou dois amigos e foi tomar um drink. E quando distraído olhava para os lados, algo lhe chamou a atenção: uma bela mulher séria no canto da pista, o tipo que muitos não chegariam, pois de longe já parecia difícil. Talvez tenha sido isso que o atraiu. O que lhe parecia indisponível sempre chamou mais atenção. Ele analisou o comportamento dela, e criou coragem para ir até ela, sem medo de sua reação. De fato, ela não era fácil. Foi difícil arrancar-lhe um sorriso, mas quando conseguiu, sabia que havia feito metade do caminho. Ela não queria nada sério, mas abriu-lhe uma exceção por ter chegado de mansinho. Ele já havia aberto seu coração. Coração que bateu rápido, enquanto ela o beijava devagar. Beijo quente que congelava, era carne e alma. Ela reclamou um pouco da música que se passava, e ele reclamava mentalmente que a noite uma hora acabaria. Queria que o tempo parasse a cada toque dela. Ele quis compartilhar o que sentiu, mas iria assustá-la. Se despediu sem falar muito, preferiu se calar. Sentir era o bastante. Naquela noite, ele não dormiu. Tinha a impressão de que poderia se passar décadas, mas ainda sentiria, mesmo que em sonho, seu toque vivo. No dia seguinte, os amigos perguntaram se a festa foi boa, mas ele não soube responder, ele se focou nela. Avisaram a ele que não podia se apaixonar por uma mulher que mal conhecia, mas ele apenas sorriu, já era tarde. Dias depois, descobriu que ela havia conseguido um bom emprego em outro estado. Conheceu tantas outras garotas, tentando substitui-la de seu coração. Mas conseguiu apenas vários beijos vazios e sem alma. Beijos com gosto de saudade. Esqueceria todo o orgulho por uma chance de vê-la voltar.


Lívia Souza

Destino forjadamente mudado

sexta-feira, 15 de julho de 2011

Gostava demais para ir embora. Era ambiciosa demais para ficar e contentar-se apenas disso. Mais do que atração, era algo que transcendia a química. Mais do que precisar, um dependia do outro. A ganância mudou um belo caminho, partindo-o em dois. E então, dois novos destinos distintos foram traçados. Uma nova escolha, uma grande renúncia. O amor não resistiu ao egocentrismo. Despediu-se sorrindo. Uma semana depois já queria voltar. Sete anos depois e não queria ter ido embora nunca.

Lívia Souza

Pedaços

quinta-feira, 14 de julho de 2011

A porta do quarto ficou aberta. Ela ficou encolhida na cama, abraçando a si própia. Será possível existir alguém com tanta maldade? Que seja capaz de brincar com sentimentos intensamente íntimos, e depois desprezá-los como se não houvessem menor importância? Ela lhe entregou o que tinha de mais valioso. Não se tratava apenas de um corpo, mas de um coração ingênuo e apaixonado, se tratava de uma alma.

Foi tudo friamente calculado. Ele olhou-a como uma deusa, admirou todo o seu corpo como se estivesse apreciando uma bela e rara arte. Sorriu maliciosamente, seduzindo-a. Se aproximou calmamente, segurando suas mãos. Mãos que começaram a soar frio, quando as mãos dele se deslizaram pelos seus braços, e levemente massagearam seus ombros. Depois exploraram suas costas, abraçando-a como se estivesse cuidando de uma jóia de muito valor. Segurou em sua cintura, abduzindo-a. E então, beijou seu pescoço carinhosamente, fazendo uma breve pausa para saber se ela permitiria que ele seguisse adiante.

Se havia alguma dúvida da parte dela, se foi quando docemente ele acariciou seu rosto e a beijou delicadamente. Enfeitiçada, ela se rendeu. Mas o que tinha tudo para ser um sonho durável, se tornou um horrível pesadelo, onde numa noite sombria, o diabo disfarçado de anjo se apossou de uma alma. E ao amanhecer do sol, se veste e vai embora, deixando apenas destroços de um coração.

Lívia Souza

Um mal para um bem maior

quarta-feira, 13 de julho de 2011

Ela fez o que menos queria. Se deixou manipular pela maioria a assumir o que tanto almejava. Foi forçada a viver ao lado de um rapaz que mal conhecia. A relação traria lucro para a família e manteria a situação financeira estável. Foi uma 'negociação', como se houvesse um dote a ser pago, mas na verdade o que houve foi um sacrifício: ver seus sonhos serem jogados ao vento e seu coração ser leiloado. Uma menina escondida por detrás de suas inseguranças, uma mulher encorajada pelo destino. Um casamento que mudaria sua vida para sempre, um rapaz tão inexperiente quanto ela. O que fariam da vida deles? O que fariam um do outro? Mas contrariando suas expectativas, o rapaz não podia ter sido mais cavalheiro. Respeitou todos os seus limites, e por ironia do destino, se apaixonou perdidamente por ela. Tão amedrontada, não conseguia olhar nos olhos deles, cujos mal conseguiam piscar por medo de perder algum mínimo detalhe do momento, olhos perdidamente enfeitiçados. O que ela iria fazer? Ela bem que tentou seguir adiante, mas se sentia vazia. Um robô monitorado pelas vontades da família. Uma boneca de pano, que só mexia de acordo com a vontade do dono. Um corpo presente, e uma alma adormecida. Ou morta. Pediu o divórcio, e mais que isso, sua vida de volta, sua liberdade, sua alma. Ele tentou convencê-la de que a faria feliz, apagaria seu passado, e construiria junto dela um futuro admirável. Mas ela apenas disse que ele havia chegado tarde demais em sua vida, e que mesmo ele sendo tão maravilhoso e especial, isso não mudava o fato de que o seu coração já pertencia a outro homem. Ele segurou firme sua mão, olhou intensamente em seus olhos, e disse-lhe: 'Eu te amo por inteiro, te acho linda desde o seu despertar, até o seu rosto enfurecido, mas se o seu sorriso não for meu, eu prefiro apreciá-lo mesmo que distante, do que estar ao seu lado e ser o causador das suas lágrimas.'

Ela o abraçou e foi embora. Ao encostar da porta, uma lágrima rolou pelo rosto dele. Alguém teria que ceder. Ele sacrificou o seu coração, para trazer de volta a vida do coração dela.

Lívia Souza

Nasce do coração, morre pela boca

segunda-feira, 11 de julho de 2011

Pode fugir de todo o estudo científico, mas é assim que eu sinto.

Os meus olhos enxergam o que não querem ver, ou os meus ouvidos escutam o que não querem ouvir. Meu subconsciente não releva muito bem, e é como se meu coração se partisse ao meio. Logo vem à tona a decepção, dolorosa. Meu coração absorve isso de forma negativa, mandando uma mensagem ao meu cérebro, bastante pessimista. Daí parece que o sangue todo do meu corpo sobe à cabeça, deixando-a vermelha e frágil, enquanto o resto do corpo fica entorpecido, perdendo um pouco a convicção das ações ou gestos. Tento segurar o máximo possível para que ninguém perceba. Na maioria das vezes consigo. Mas o processo continua quando fico a 'sós' comigo mesma, porque na verdade, alí também estão presentes todos os meus sentimentos reprimidos, que por algum motivo, acovardada, não expus. E isso tudo, resulta no que minha alma deixava subentendido, no que minhas verdades escondiam, e ainda assim, escorre tão pura, tão transparente, como se fosse um antídoto. Acompanhada do alívio.
A lágrima concretizou o seu percurso, deslizando pela face, e morrendo pela boca. É o sentimento que foi calado.

Lívia Souza

Assim seja, sempre.

domingo, 12 de junho de 2011

Ambos eram malucos. O sonho dela era virar uma lenda, e ele queria ser uma espécie de super-herói. Inseparáveis. Uma amizade antiga e diferenciada, que a sociedade não compreendia muito bem, mas isso nunca os preocupou, o essencial para eles era estar sempre sorrindo. Tinham uma ligação que muitos casais de namorados nem se quer conhecem. Se preocupavam um com o outro. Passavam trotes, apertavam interfones da vizinhança e saiam correndo. Faziam caretas e se imitavam. Pixavam muros públicos e só queriam se divertir. Se ligavam de madrugada, e saiam escondidos. Dançavam juntos e tiravam fotos inusitadas, iam para a pracinha andar, e se sujavam com o sorvete. Andavam na chuva sem se preocupar, e nunca respeitavam os horários. Um assumia a culpa no lugar do outro. Transformavam lágrimas em altas gargalhadas em segundos. Deitavam na grama e contavam estrelas. Invadiam a piscina da casa do vizinho de madrugada. Compartilhavam o mp4, e nas viagens longas e cansativas de ônibus, dormiam abraçados. Enchiam a cara e saiam caminhando torto pela rua, um segurando o outro, um rindo do outro, e juravam estar em seu juízo perfeito. Matavam aula, e quebravam as regras. Implantavam seu próprio sistema. Não existia nada impossível para eles, ainda mais quando estavam juntos. Nem havia limites. Gostavam do que era proibido. Faziam tudo errado, e era o que parecia certo. O tempo que tinham, era o melhor que tinham, pois estavam juntos. Eram amantes da vida, eram amantes um do outro. Se enamoravam e não sabiam. Ambos malucos, um pelo outro.


Lívia Souza - feliz dia dos namorados!

Amor destrutivo

sábado, 11 de junho de 2011

Foi o despertar de um sonho bom. Uma ilusão mal enquadrada na realidade. E agora andando pela rua, enxergo o seu rosto nas pessoas, vendo casais e relembrando o quanto já fomos felizes, o quanto éramos perfeitos um para o outro. E desse sentimento tão intenso, só restou a dor, que de tão forte me tira o apetite, tranca minha gargante, e me trás olheiras fundas de noites não dormidas. Saio na tentativa de encontrar nos caras, o sorriso que você me dava, que me convencia de fazer qualquer coisa que quisesse, o jeito que só você tinha de me olhar, que me constrangia, suas manias chatas, das quais tanto reclamava e sinto saudade, do jeito que só você segurava minha cintura, que me fazia esquecer de respirar, do modo como me abraçava, como se quisesse explorar todo o meu corpo lentamente, e como acariciava meus cabelos, me passando tanta segurança, que quando estava presente, não sentia a ausência de mais nada. Volto sempre frustrada, pois nenhum dos lábios que beijei soube me dominar como acontecia com você. Minha boca precisa beijar seus lábios macios e quentes, meus olhos precisam ver depois de um longo beijo apaixonado, aquele seu sorriso malicioso, que ia sumindo aos poucos quando olhava atentamente nos meus olhos dizendo milhões de coisas sem precisar usar a voz, acariciando meu rosto delicadamente, aparentando que fosse capaz de passar a vida inteira apenas fazendo isso. E a cada vez que busco tudo isso e não encontro, tudo dentro de mim se torna entorpecido.

No final da madrugada, resta apenas uma bêbada largada no sofá, com a maquiagem borrada, e uma garrafa de Absinto pelo chão.

Lívia Souza

Aos poucos, sempre você

sábado, 30 de abril de 2011

Vagando em pensamentos que insistem em conter seu rosto, seus olhos, sua voz. Vagando em você. Buscando em cada olhar que passa pela janela o seu. Sem sucesso, me contento em te ver por fotos. Porém, o coração aperta logo, chamando seu nome. Você não responde. E fechar os olhos já não te traz mais.
Depois de tanto tempo distante, já não vejo mais sua imagem completa em minha cabeça. Traços distorcidos de mais um amor que se foi. Vou me desprendendo aos poucos. Tentando desativar uma parte de mim que é toda sua. Sem freadas bruscas. Sem deslizes. Tenho tentado ser regular. Tenho tentado não me machucar.
Mas tudo isso se torna inútil ao te ver novamente. Todo esforço foi em vão. E eu sempre soube que seria assim. Mentia ao dizer que seria forte o bastante para suportar. Querendo ou não ainda restam vestígios seus dentro de mim. Que nunca saíram. Que nunca sairão. Que se escondem na maior parte do tempo. Que eu me esforço para esconder. Só para que ninguém saiba que
as últimas batidas do meu coração no fim do dia são sempre para você!

Autoria: Marina Coimbra

O meu amor

quarta-feira, 2 de março de 2011

Sonho em acordar no meio da noite ouvindo a sua voz me dizendo que me ama. Sei que meu coração vai disparar nessa hora, e logicamente eu vou responder com a frase completa: "eu também te amo". Sua mão quente vai aquecer a minha, e no seu abraço vou sentir um conforto indescritível, uma segurança inabalável. Vou acariciar o seu rosto e ver você fechar os olhos, seus lindos olhos, tão doces. Vou ver você sorrir, e automaticamente sorrir junto, até pelo fato de não conseguir ver você e ficar séria... Ainda vamos dançar juntos, ao som da nossa música, que tem a letra que descreve a nossa história, e eu vou desejar que nesse momento, o tempo pare. Vamos sair juntos sem direção, e fazer de uma tarde normal, a melhor tarde de nossas vidas. Vamos tirar as fotos mais românticas e mais engraçadas, coisas que só nós vamos entender. Você vai segurar a minha mão até nos dias mais quentes, vai colar em mim nos dias mais frios, fazendo de nós dois, apenas um. Você vai almoçar comigo nos finais de semana. Vou ir assistir filme na sua casa e você vai poder deitar no meu colo pra eu poder fazer cafuné e rir de você sonolento. Vamos sentir uma louca saudade um do outro, até estando um vendo o outro. E o nosso beijo, vai ser o mais duradouro, intenso e perfeito. Você vai ser o meu amor.


Lívia Souza