Saudade. Não saudade do seu olho, mas do seu jeito de me enxergar. Não saudade da sua boca, mas do sorriso que saia dela quando eu chegava. Não saudade dos seus lábios, mas da intensidade de como eles se encontravam com os meus. Não saudade da sua mão, mas da sua carícia. Não saudade da sua pele, mas do efeito dela sobre a minha. Não saudade dos seus braços, mas da forma que eles me apreendiam. Não saudade das suas pernas, e sim do seu colo. Não saudade do seu perfume, e sim do cheiro natural da sua pele. Não saudade da sua voz, mas da sua entonação ao dizer 'eu amo você'. Não saudade das nossas brigas, mas das reconciliações. Não saudade das suas lágrimas, mas de saber que foi por mim que você as derramou. Não saudade da sua impontualidade, mas das vezes que me surpreendeu numa tarde vazia em que eu ainda estava de pijama. Não saudade do seu ciúme, mas de me sentir amada e exclusiva para alguém. Não saudade do ciúme que eu sentia de você, mas de ao menos ainda ter o que perder. Não saudade da sua raiva, mas de saber que ela não duraria até eu te tocar. Não saudade dos meus sonhos, e sim da realidade que eu vivia com você. Não saudade de quando você estava longe, e sim de ter certeza que mesmo distante, você ainda queria ser só meu. Não saudade das juras e demais promessas, mas do que um dia foi eterno, e que por algum motivo teve que morrer.
sexta-feira, 14 de outubro de 2011
Lívia Souza