Um erro, várias consequências

sexta-feira, 29 de julho de 2011

Não parecia possível. Uma tragédia. Totalmente surreal. Seria verdade? O teste deu positivo, pela terceira vez. Estava com mal-estar já havia umas três semanas. O desespero veio à tona. Ela sempre se comportou tão bem, cheia de princípios, e garantia a sí própria que não havia possibilidade de ter acontecido nada. Exceto há uns dias atrás que foi numa festa e se embebedou demais com um rapaz. Não se lembra de nada daquela noite, que não teve nenhuma significância nem para ela, e provavelmente muito menos para o homem, cujo ela nem sequer lembra o nome. Daquela noite, só restaram poucos flashes em sua mente, como um filme que não passa. Com muito esforço ela se recordou de alguma coisa. E depois caiu em choro. Ela estava grávida. Grávida e totalmente perdida. Ela havia acabado de se formar em direito, e passado na prova da OAB, pronta para ser uma advogada competente e deslanchar em sua carreira, com grandes possibilidades de obter sucesso profissional. Estava tudo arruinado? Era isso? Sonhos de uma vida destruídos por uma noite? Uma irresponsabilidade estava lhe custando todo um futuro promissor. Um peso que ela não aguentaria carregar sozinha, desamparada. Decepcionaria seus pais eternamente, que estavam tão contentes pela filha ter dado o primeiro passo para o mercado de trabalho. Que estrutura essa criança teria? Qual a explicação de sua vinda ao mundo? Ela se acovardou. Viu que só tinha duas soluções. Se foi mulher de errar, teria de ser mulher para se redimir e assumir seus erros. Ou abortaria.

Ela foi fraca, optou por abortar. E percebendo a gravidade de tal ato, chegou a conclusão que também não merecia viver, por ter sido tão cruel. E era o fim de duas vidas.

Lívia Souza