Tudo começou de repente. Era uma sexta como outra qualquer, ele se arrumou como o de costume e foi para a balada, sem expectativas. Encontrou dois amigos e foi tomar um drink. E quando distraído olhava para os lados, algo lhe chamou a atenção: uma bela mulher séria no canto da pista, o tipo que muitos não chegariam, pois de longe já parecia difícil. Talvez tenha sido isso que o atraiu. O que lhe parecia indisponível sempre chamou mais atenção. Ele analisou o comportamento dela, e criou coragem para ir até ela, sem medo de sua reação. De fato, ela não era fácil. Foi difícil arrancar-lhe um sorriso, mas quando conseguiu, sabia que havia feito metade do caminho. Ela não queria nada sério, mas abriu-lhe uma exceção por ter chegado de mansinho. Ele já havia aberto seu coração. Coração que bateu rápido, enquanto ela o beijava devagar. Beijo quente que congelava, era carne e alma. Ela reclamou um pouco da música que se passava, e ele reclamava mentalmente que a noite uma hora acabaria. Queria que o tempo parasse a cada toque dela. Ele quis compartilhar o que sentiu, mas iria assustá-la. Se despediu sem falar muito, preferiu se calar. Sentir era o bastante. Naquela noite, ele não dormiu. Tinha a impressão de que poderia se passar décadas, mas ainda sentiria, mesmo que em sonho, seu toque vivo. No dia seguinte, os amigos perguntaram se a festa foi boa, mas ele não soube responder, ele se focou nela. Avisaram a ele que não podia se apaixonar por uma mulher que mal conhecia, mas ele apenas sorriu, já era tarde. Dias depois, descobriu que ela havia conseguido um bom emprego em outro estado. Conheceu tantas outras garotas, tentando substitui-la de seu coração. Mas conseguiu apenas vários beijos vazios e sem alma. Beijos com gosto de saudade. Esqueceria todo o orgulho por uma chance de vê-la voltar.
sábado, 23 de julho de 2011
Lívia Souza