Eu mostrei que te amo várias vezes. Sabe quando eu forjei uma risada da sua piada de mau gosto? Quando eu abri mão de sair com minhas amigas só para passar a tarde com você assistindo ‘Domingão do Faustão’? Quando torci pelo seu time, mesmo não sendo o meu, só para não vê-lo decepcionado? Lembra quando gastei o dinheiro que havia juntado para comprar aquele sapato que eu namorava na vitrine da boutique, com créditos para te ligar todos os dias, pois você estava desempregado e ainda não existia a promoção de 25 centavos por telefonema? Quando eu ouvia todas as músicas que você me mandava, mesmo não curtindo o estilo musical? Quando eu preocupava meus pais por desrespeitar o horário de chegar em casa, só para ouvir você se queixar do seu colega de trabalho? Quando te dei razão mesmo eu estando certa, só para não prolongar a discussão? Quando eu estava de TPM e tratava todo mundo friamente, mas com você eu continuava doce e paciente? Quando ignorei suas grosserias só por saber que seu dia foi difícil? Quando eu chorava por dentro e sorria para você pra não preocupá-lo? Quando deixei de viajar com minha família pra cuidar de você porque estava doente? Quando te procurei porque o seu orgulho não permitiu que você se redimisse? Quando relevei suas crises, sua vontade de dar um tempo, e querer voltar pra mim no dia seguinte? Quando eu deixei você dirigir o meu carro? Quando eu te prometi que estaria do seu lado, e cumpri? Quando eu assistia filme de ação porque você só gostava de ver esse gênero? Quando eu tinha disposição pra fazer um jantar pra você depois de um dia estressante? Quando vestia aquele vestido que eu odiava só porque eu sabia que você achava lindo? Você lembra como eu era toda sua, até não estando com você? Você lembra como eu me rendia ao seu charme tão facilmente? Você lembra dos textos que eu criei inspirados em nós? Mas isso tudo não pareceu bastar, aliás, parecia pouco pra você. Você realmente acha que tudo isso vale menos do que simplesmente dizer ‘eu te amo’? Sinceramente, se você acha que três palavras que qualquer um pode dizer sem o mínimo esforço é prova de amor, você é o tipo de pessoa que se descreve com uma extensa prosa objetiva. Eu não. Eu sou poesia. Talvez um pequeno soneto que, se bem absorvido, mostra o que você não é capaz de desvendar apenas com a primeira leitura. Eu sou as figuras de linguagem. Eu sou além do que você enxerga. Você é previsível e, e eu nunca serei.
terça-feira, 6 de dezembro de 2011
Lívia Souza