Carta de Natal

quinta-feira, 22 de dezembro de 2011

Criança de onze anos:

‘Papai Noel, eu gostaria de te pedir muitas coisas. Há muitos brinquedos que eu gostaria de ganhar. Muitos que o meu papai não pode pagar, mas ele sempre diz que quando as coisas melhorarem, ele vai me dar. Ainda não entendo muito bem por que ele diz isso, e ele fala que quando eu crescer, vou entender. Mas uma coisa tem me incomodado bastante. Às vezes escuto minha mamãe chorar no quarto dela, com a porta fechada. E quando bato na porta, ela pede pra eu esperar, e quando abre, ela passa a mão no meu rosto e sorri pra mim. Mas no fundo, eu sei que ela ta preocupada com alguma coisa. Espero que não seja comigo, até porque nem estou mais tão mal em ciências e finalmente aprendi raiz quadrada. Nem sempre faço a tarefa, mas nunca peguei recuperação! Eu queria muito uma bicicleta, mas o papai disse pra eu não pedir coisa muito grande, porque o senhor tem muitas outras crianças pra presentear, e além de ser velhinho pra carregar tanto peso, não é rico. Pensei em pedir uma boneca linda que vi na vitrine de uma loja, porque quando eu pedi ela de aniversário pra mamãe, ela disse que a boneca era cara. Eu fiquei muito triste aquele dia, mas entendi. Acabei ganhando outra boneca, não tão bonita quanto aquela, mas brinco com ela todo dia com minha amiga Marina. Ela é minha vizinha e sempre vem na minha casa, e eu também vou na dela. O quarto dela é muito bonito, e ontem eu perguntei pra ela o que ela ia pedir pro senhor de Natal, porque ela tem muitos brinquedos! Mas papai Noel, acho que não vou pedir brinquedo nenhum. Quando eu perguntei pro meu papai, como você me entregaria o presente, ele me disse que você sabe o endereço da minha casa e me conhece. E se o senhor sabe de tudo isso, deve saber muitas outras coisas sobre mim e que se passam na minha casa, talvez saiba de coisas que nem eu sei. Mas eu gostaria de pedir pro senhor, pro senhor fazer as coisas melhorarem! Se não der, faz a minha mãe parar de chorar, porque eu amo muito ela.

Obrigada Papai Noel, um beijo.’

Lívia Souza