A porta do quarto ficou aberta. Ela ficou encolhida na cama, abraçando a si própia. Será possível existir alguém com tanta maldade? Que seja capaz de brincar com sentimentos intensamente íntimos, e depois desprezá-los como se não houvessem menor importância? Ela lhe entregou o que tinha de mais valioso. Não se tratava apenas de um corpo, mas de um coração ingênuo e apaixonado, se tratava de uma alma.
Foi tudo friamente calculado. Ele olhou-a como uma deusa, admirou todo o seu corpo como se estivesse apreciando uma bela e rara arte. Sorriu maliciosamente, seduzindo-a. Se aproximou calmamente, segurando suas mãos. Mãos que começaram a soar frio, quando as mãos dele se deslizaram pelos seus braços, e levemente massagearam seus ombros. Depois exploraram suas costas, abraçando-a como se estivesse cuidando de uma jóia de muito valor. Segurou em sua cintura, abduzindo-a. E então, beijou seu pescoço carinhosamente, fazendo uma breve pausa para saber se ela permitiria que ele seguisse adiante.
Se havia alguma dúvida da parte dela, se foi quando docemente ele acariciou seu rosto e a beijou delicadamente. Enfeitiçada, ela se rendeu. Mas o que tinha tudo para ser um sonho durável, se tornou um horrível pesadelo, onde numa noite sombria, o diabo disfarçado de anjo se apossou de uma alma. E ao amanhecer do sol, se veste e vai embora, deixando apenas destroços de um coração.
Lívia Souza
