Foi o despertar de um sonho bom. Uma ilusão mal enquadrada na realidade. E agora andando pela rua, enxergo o seu rosto nas pessoas, vendo casais e relembrando o quanto já fomos felizes, o quanto éramos perfeitos um para o outro. E desse sentimento tão intenso, só restou a dor, que de tão forte me tira o apetite, tranca minha gargante, e me trás olheiras fundas de noites não dormidas. Saio na tentativa de encontrar nos caras, o sorriso que você me dava, que me convencia de fazer qualquer coisa que quisesse, o jeito que só você tinha de me olhar, que me constrangia, suas manias chatas, das quais tanto reclamava e sinto saudade, do jeito que só você segurava minha cintura, que me fazia esquecer de respirar, do modo como me abraçava, como se quisesse explorar todo o meu corpo lentamente, e como acariciava meus cabelos, me passando tanta segurança, que quando estava presente, não sentia a ausência de mais nada. Volto sempre frustrada, pois nenhum dos lábios que beijei soube me dominar como acontecia com você. Minha boca precisa beijar seus lábios macios e quentes, meus olhos precisam ver depois de um longo beijo apaixonado, aquele seu sorriso malicioso, que ia sumindo aos poucos quando olhava atentamente nos meus olhos dizendo milhões de coisas sem precisar usar a voz, acariciando meu rosto delicadamente, aparentando que fosse capaz de passar a vida inteira apenas fazendo isso. E a cada vez que busco tudo isso e não encontro, tudo dentro de mim se torna entorpecido.
sábado, 11 de junho de 2011
No final da madrugada, resta apenas uma bêbada largada no sofá, com a maquiagem borrada, e uma garrafa de Absinto pelo chão.
Lívia Souza