Se fosse diferente

terça-feira, 25 de outubro de 2011

Como eu queria que você fosse diferente. Que com nós dois, a história tivesse sido outra. Uma em que o desfecho, nada mais seria do que o começo de dois corpos compartilhando a mesma alma. Você podia ser diferente, se não fosse o seu sotaque que fica incrivelmente sensual quando está enfurecido. Se não fosse o seu hábito de deixar tudo sempre para a última hora. Se não fosse o seu prazer insaciável de me contradizer. Se não fosse a sua mania irritante de sempre esquecer a toalha molhada em cima da cama após o banho. Se não fosse o seu vício de dizer o que na verdade, você não sente. Se não fosse o seu orgulho, que não te deixa redimir dos próprios erros, o que faz eu perder-me de você. Se não fosse a sua forma de mexer no cabelo quando está envergonhado, que é inclassificavelmente enlouquecedora. Se não fosse esse seu medo de demonstrar o que seu olhar já denunciou, ou de aceitar que sim, eu sou diferente das outras garotas pra você. Você podia ser diferente, para mim. Você ainda poderia ser meu, se fosse diferente. Não poder estar com você me faz te querer ainda mais ao meu lado, mesmo que utopicamente. A arte de querer o que está fora do alcance, essa eu domino. Mas e se você fosse diferente, será que eu te amaria da mesma forma? Talvez não. Talvez eu ame até os seus defeitos, pelo simples motivo deles também fazerem parte de quem você é.


Lívia Souza

Eterno finalizado

sexta-feira, 14 de outubro de 2011

Saudade. Não saudade do seu olho, mas do seu jeito de me enxergar. Não saudade da sua boca, mas do sorriso que saia dela quando eu chegava. Não saudade dos seus lábios, mas da intensidade de como eles se encontravam com os meus. Não saudade da sua mão, mas da sua carícia. Não saudade da sua pele, mas do efeito dela sobre a minha. Não saudade dos seus braços, mas da forma que eles me apreendiam. Não saudade das suas pernas, e sim do seu colo. Não saudade do seu perfume, e sim do cheiro natural da sua pele. Não saudade da sua voz, mas da sua entonação ao dizer 'eu amo você'. Não saudade das nossas brigas, mas das reconciliações. Não saudade das suas lágrimas, mas de saber que foi por mim que você as derramou. Não saudade da sua impontualidade, mas das vezes que me surpreendeu numa tarde vazia em que eu ainda estava de pijama. Não saudade do seu ciúme, mas de me sentir amada e exclusiva para alguém. Não saudade do ciúme que eu sentia de você, mas de ao menos ainda ter o que perder. Não saudade da sua raiva, mas de saber que ela não duraria até eu te tocar. Não saudade dos meus sonhos, e sim da realidade que eu vivia com você. Não saudade de quando você estava longe, e sim de ter certeza que mesmo distante, você ainda queria ser só meu. Não saudade das juras e demais promessas, mas do que um dia foi eterno, e que por algum motivo teve que morrer.


Lívia Souza

Quando o sol nascer

sábado, 8 de outubro de 2011


Não me convide para ver o pôr-do-sol se não tiver desígnio de permanecer comigo para observá-lo nascer. Pois simples é criar um momento, complexo é torná-lo suficientemente bom para ser digno de uma sequência contínua. É fácil se apaixonar por alguém durante uma noite, o difícil é essa paixão permanecer quando amanhecer.


Lívia Souza

Efeito

domingo, 2 de outubro de 2011


Nada funciona quando você não está. Meus olhos sempre buscam encontrar os seus. É impensado sorrir quando você chega. Tenho medo de um dia você perceber o seu efeito sobre mim. E mais medo ainda, que eu descubra o quão poderoso esse efeito pode ser.


Lívia Souza