Assim seja, sempre.

domingo, 12 de junho de 2011

Ambos eram malucos. O sonho dela era virar uma lenda, e ele queria ser uma espécie de super-herói. Inseparáveis. Uma amizade antiga e diferenciada, que a sociedade não compreendia muito bem, mas isso nunca os preocupou, o essencial para eles era estar sempre sorrindo. Tinham uma ligação que muitos casais de namorados nem se quer conhecem. Se preocupavam um com o outro. Passavam trotes, apertavam interfones da vizinhança e saiam correndo. Faziam caretas e se imitavam. Pixavam muros públicos e só queriam se divertir. Se ligavam de madrugada, e saiam escondidos. Dançavam juntos e tiravam fotos inusitadas, iam para a pracinha andar, e se sujavam com o sorvete. Andavam na chuva sem se preocupar, e nunca respeitavam os horários. Um assumia a culpa no lugar do outro. Transformavam lágrimas em altas gargalhadas em segundos. Deitavam na grama e contavam estrelas. Invadiam a piscina da casa do vizinho de madrugada. Compartilhavam o mp4, e nas viagens longas e cansativas de ônibus, dormiam abraçados. Enchiam a cara e saiam caminhando torto pela rua, um segurando o outro, um rindo do outro, e juravam estar em seu juízo perfeito. Matavam aula, e quebravam as regras. Implantavam seu próprio sistema. Não existia nada impossível para eles, ainda mais quando estavam juntos. Nem havia limites. Gostavam do que era proibido. Faziam tudo errado, e era o que parecia certo. O tempo que tinham, era o melhor que tinham, pois estavam juntos. Eram amantes da vida, eram amantes um do outro. Se enamoravam e não sabiam. Ambos malucos, um pelo outro.


Lívia Souza - feliz dia dos namorados!

Amor destrutivo

sábado, 11 de junho de 2011

Foi o despertar de um sonho bom. Uma ilusão mal enquadrada na realidade. E agora andando pela rua, enxergo o seu rosto nas pessoas, vendo casais e relembrando o quanto já fomos felizes, o quanto éramos perfeitos um para o outro. E desse sentimento tão intenso, só restou a dor, que de tão forte me tira o apetite, tranca minha gargante, e me trás olheiras fundas de noites não dormidas. Saio na tentativa de encontrar nos caras, o sorriso que você me dava, que me convencia de fazer qualquer coisa que quisesse, o jeito que só você tinha de me olhar, que me constrangia, suas manias chatas, das quais tanto reclamava e sinto saudade, do jeito que só você segurava minha cintura, que me fazia esquecer de respirar, do modo como me abraçava, como se quisesse explorar todo o meu corpo lentamente, e como acariciava meus cabelos, me passando tanta segurança, que quando estava presente, não sentia a ausência de mais nada. Volto sempre frustrada, pois nenhum dos lábios que beijei soube me dominar como acontecia com você. Minha boca precisa beijar seus lábios macios e quentes, meus olhos precisam ver depois de um longo beijo apaixonado, aquele seu sorriso malicioso, que ia sumindo aos poucos quando olhava atentamente nos meus olhos dizendo milhões de coisas sem precisar usar a voz, acariciando meu rosto delicadamente, aparentando que fosse capaz de passar a vida inteira apenas fazendo isso. E a cada vez que busco tudo isso e não encontro, tudo dentro de mim se torna entorpecido.

No final da madrugada, resta apenas uma bêbada largada no sofá, com a maquiagem borrada, e uma garrafa de Absinto pelo chão.

Lívia Souza