Valores

segunda-feira, 7 de maio de 2012

Dê valor ao que realmente tenha valor, e deixe de dar valor para o que não tem valor. A capa do livro pode não corresponder ao conteúdo escrito nele. O fim do filme pode não ser o esperado. O caminho mais fácil pode não corresponder a melhor saída. A propaganda pode não corresponder a qualidade do produto. Um sorriso pode não significar alegria. Um sentimento pode não preencher as suas necessidades. Uma pessoa pode não corresponder as suas expectativas. O término pode não ser o fim, e sim um recomeço. A vida pode não ser um conto de fadas, mas pode ser surpreendente. Depende de você. Ame o que você tem, e não seja infeliz por não ter tudo o que ama. Não viva de metades, as coisas são ou não são. Não existe um meio termo pra ser feliz, não existe meia-felicidade.

Lívia Souza Nunes

Figurante

quarta-feira, 25 de abril de 2012

Eu tento não lembrar de você. Tento não lembrar como fui feliz do seu lado. Tento não lembrar de você quando ouço a nossa música. Tento não lembrar de você quando passo na rua da sua casa. Tento não lembrar de você quando leio uma frase de amor. Tento não lembrar de você quando converso com o seu melhor amigo. Tento não lembrar de você quando me perguntam do que sinto falta. Tento não sentir nada ao olhar pra você. Tento não lembrar de você quando lembro que preciso te esquecer.  E ainda sim, eu me lembro de você. Mas é tarde demais. É tarde demais para você se lembrar de mim. Porque embora na minha memória você ainda esteja vivo, na minha realidade você já não existe. Você poderia ter sido protagonista na minha história, mas suas escolhas te levaram a ser apenas um mero figurante.

Lívia Souza

Ainda vejo, ouço e sinto você

sexta-feira, 27 de janeiro de 2012

Ainda ouço seus passos caminhando pelos corredores da casa. Assim como ainda ouço o barulho da sua chave ao abrir a porta. Ainda sinto seu cheiro no travesseiro, e nas minhas roupas. Ainda escuto sua risada mesmo que distante, e de lembrar do seu olhar, meu coração fica acelerado. Mas mais parece que ele vai sair pela boca, quando penso que não presenciarei tudo isso de novo. Eu sinto a sua falta. Sinto sua falta cada vez que olho pro sofá, que era onde você me esperava quando ainda não tinha chegado, e me recebia calorosamente, transformando meus dias mais estressantes em gargalhadas espontâneas. Sinto sua falta quando eu chegava muito tarde do trabalho, e você, na tentativa frustrada de preparar um jantar para me receber, sempre acabava encomendando pizza. Sinto sua falta quando vou no banheiro e me recordo que algumas poucas vezes, você deixou um bilhete pregado no espelho. Pode parecer banal, mas guardei-os com muito carinho. Também me recordo de vezes em que você estava se barbeando e eu na pressa para passar meu batom, e você me roubava um beijo, me sujando de espuma pra barbear, e eu te manchando de batom. Eu não tinha ideia do quanto tudo isso tornava meu dia mais alegre. Sinto sua falta quando vou à varanda, pois quando brigávamos você se sentava na rede e ficava suavemente balançando, com expressão facial séria e distante. Eu sabia que você só estava esperando que eu fosse até lá, sentasse no seu colo e dissesse que estava tudo bem, e antes de esperar você responder qualquer coisa, estendesse o silêncio com um longo beijo. Sinto sua falta quando tarde da noite me dou conta que você não a passará ao meu lado. Você faz falta. Não ser acordada com você sussurrando no meu ouvido, não poder apostar com você como será o fim do filme, não poder chamar sua atenção ao ver suas meias jogadas pelo chão, é insuportavelmente doloroso. Olho sua foto e a acaricio com tanta intensidade, que posso sentir minha mão tocando o seu rosto. Ainda vivo a te esperar, e morro a cada dia que não te vejo entrar por aquela porta que você mesmo fechou, que sempre vai estar escancarada pra você.

Lívia Souza Nunes