segunda-feira, 7 de maio de 2012
Lívia Souza Nunes
quarta-feira, 25 de abril de 2012
Lívia Souza
sexta-feira, 27 de janeiro de 2012
Ainda ouço seus passos caminhando pelos corredores da casa. Assim como ainda ouço o barulho da sua chave ao abrir a porta. Ainda sinto seu cheiro no travesseiro, e nas minhas roupas. Ainda escuto sua risada mesmo que distante, e de lembrar do seu olhar, meu coração fica acelerado. Mas mais parece que ele vai sair pela boca, quando penso que não presenciarei tudo isso de novo. Eu sinto a sua falta. Sinto sua falta cada vez que olho pro sofá, que era onde você me esperava quando ainda não tinha chegado, e me recebia calorosamente, transformando meus dias mais estressantes em gargalhadas espontâneas. Sinto sua falta quando eu chegava muito tarde do trabalho, e você, na tentativa frustrada de preparar um jantar para me receber, sempre acabava encomendando pizza. Sinto sua falta quando vou no banheiro e me recordo que algumas poucas vezes, você deixou um bilhete pregado no espelho. Pode parecer banal, mas guardei-os com muito carinho. Também me recordo de vezes em que você estava se barbeando e eu na pressa para passar meu batom, e você me roubava um beijo, me sujando de espuma pra barbear, e eu te manchando de batom. Eu não tinha ideia do quanto tudo isso tornava meu dia mais alegre. Sinto sua falta quando vou à varanda, pois quando brigávamos você se sentava na rede e ficava suavemente balançando, com expressão facial séria e distante. Eu sabia que você só estava esperando que eu fosse até lá, sentasse no seu colo e dissesse que estava tudo bem, e antes de esperar você responder qualquer coisa, estendesse o silêncio com um longo beijo. Sinto sua falta quando tarde da noite me dou conta que você não a passará ao meu lado. Você faz falta. Não ser acordada com você sussurrando no meu ouvido, não poder apostar com você como será o fim do filme, não poder chamar sua atenção ao ver suas meias jogadas pelo chão, é insuportavelmente doloroso. Olho sua foto e a acaricio com tanta intensidade, que posso sentir minha mão tocando o seu rosto. Ainda vivo a te esperar, e morro a cada dia que não te vejo entrar por aquela porta que você mesmo fechou, que sempre vai estar escancarada pra você.
Lívia Souza Nunes


