A vida continua

terça-feira, 15 de novembro de 2011

Eu tinha só dezessete anos. E com apenas dezessete anos, tive de envelhecer mais uns dez. A vida me forçou a isso. Ela exigiu de mim, mais força do que tinha. Ou não, talvez a gente não saiba o quanto é forte, até precisar ser.

Quando eu tinha quinze anos, conheci o cara que mudou a minha vida. Estava eu numa festa, a qual meus pais nem deixaram que eu fosse (mas é melhor pular essa travessura, acredite!), e de repente na pista de dança, alguém me deu um pisão. Me virei super brava, na intenção de xingar a pessoa. Mas quando vi aquele sorriso largo dele, acompanhado de um pedido de desculpa, percebi que não acabaria por aí. E de fato, não acabou.
Nem preciso dizer o que aconteceu depois, certo?! Nos apaixonamos. Sabe quando você está pensando em alguém, e no exato momento, esta te telefona? E aquele beijo tão primoroso, que dá vontade de tirar a roupa logo sem se importar com religião, razão ou princípios?
Leonardo sempre foi misterioso. As vezes até me deixava insegura. Insegurança que logo passava quando eu estava em seus braços. Ele sempre dizia que a vida continuava, e eu mal entendia o por quê dele dizer isso, repetidas vezes. E também tinha uma lista (bizarra), de coisas que queria fazer antes de morrer.
Então, Leonardo sumiu por uns dias, e quando eu o procurava nunca encontrava ele em lugar algum. Até que um dia, ao conectar na internet, deparei com a seguinte mensagem da mãe dele: "Leonardo faleceu!! Ele tinha leucemia, e não contou-lhe pois não queria preocupar a garota que mais o fez sentir vivo, mesmo quando a morte já estava dentro dele. Palavras ditas por ele, momentos antes de partir. Perdão dar a notícia assim, mas estamos muito desconsolados.".
Minha vida parou por algumas semanas. Mas depois eu consegui entender tudo com clareza. Leonardo queria que minha vida continuasse, e assim deveria ser. Eu pedi pra mãe dele a lista que ele tinha me confidenciado, e realizei todos os desejos, como se fossem meus, um a um. Em último lugar, ele queria constituir uma família. Eu constitui a minha, inclusive tenho um filho, chamado Leonardo, de dois aninhos. Sou bem casada e feliz, pois com o Leonardo aprendi a seguir em frente, aprendi que não importa o que aconteça, a vida continua.
Meu nome é Kate, tenho trinta e um anos, e descobri que tenho câncer na semana passada. E tenho absoluta convicção, de que tudo vai dar certo. Independente de como.

Lívia Souza

Química

segunda-feira, 7 de novembro de 2011

Amor é aquilo inacabável, ilimitado, incondicional. Amor é aquilo que dura por toda vida. As pessoas dizem sentir amor sem ter certeza do que é. Só quando você estiver a beira da morte, você vai saber e entender o que é o amor. E se já sentiu isso realmente algum dia por alguém. Porque quando você estiver quase partindo, a primeira e a última pessoa que você irá se lembrar, será a pessoa que você mais gostou, admirou, e almejou durante toda sua trajetória.

Falo da química entre duas pessoas. Aquilo que faz você voar mesmo com os pés firmes no chão. Que faz você cometer loucuras que antes julgava incorretas. Que transcende toda e qualquer descrição. Que faz seu coração vibrar, suas pernas ficarem dormentes e perder totalmente o controle das suas mãos. Elas vão tocar e acariciar automaticamente quem sua mente já está imaginando quão gostoso pode ser um beijo apaixonado dele(a). Química é aquilo que tira o seu sono, que te machuca de saudade. É o que faz você perder o fôlego. Química é aquele olhar que suga, é o sorriso espontâneo, é a atração dos corpos instintiva, é aquela vontade irreprimível, é o desejo infindável de parar o tempo, é aquele beijo primoroso, é aquele abraço arrebatador que torna tudo esquecível exceto aquele exato instante. É a química que te estimula a insistir numa história que tem tudo pra naufragar antes mesmo de navegar. Química é aquilo que proporciona os seus melhores momentos. Sentir química e ser recíproco é o primeiro passo para começar a entender, e até quem sabe viver um amor delirante.

Lívia Souza